Caráter Psicopático

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Dentre todos os tipos de caráter, o psicopático — ou narcisista, como muitos terapeutas preferem chamá-lo — é talvez o mais incompreendido. O nome evoca imagens de sociopatia e criminalidade, mas a realidade clínica é muito mais sutil e muito mais comum do que se imagina. A estrutura psicopática, na tipologia reichiana, descreve uma pessoa que aprendeu muito cedo que ser vulnerável é ser controlado — e que, portanto, desenvolveu uma estratégia sofisticada de defesa: controlar primeiro. Seduzir, impressionar, dominar — tudo para nunca mais estar na posição de quem pode ser ferido.

“O psicopático se defende para cima — a energia sobe, infla o peito, alarga os ombros, endurece o olhar. É como se dissesse ao mundo: 'Eu sou maior do que você. Não tente me controlar.'” — Alexander Lowen, Bioenergética (1975)

O direito fundamental: ser vulnerável

O que foi negado ao psicopático foi o direito de ser vulnerável sem ser explorado. Tipicamente, essa estrutura se forma entre 2 e 4 anos, quando a criança foi seduzida emocionalmente pelo pai ou mãe do sexo oposto — elevada à posição de "parceiro emocional" do adulto, usada para satisfazer necessidades narcísicas do progenitor, colocada numa posição de poder precoce e inapropriada. A criança foi "promovida" a uma posição que não era dela — e aprendeu que o amor é uma transação de poder.

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