Caráter Masoquista

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O nome é enganoso — e perigoso. "Masoquista," no senso comum, evoca imagens de submissão voluntária, de alguém que gosta de sofrer. Na tipologia reichiana, o significado é radicalmente diferente. O caráter masoquista se formou numa criança que foi invadida em sua autonomia nascente — controlada, sufocada, engolida por um amor que não deixava espaço para o "não." A criança que, entre 1 e 3 anos, tentava conquistar sua primeira independência — andar, falar, dizer "não", controlar seus esfíncteres, ter vontade própria — e encontrou uma mãe (ou figura cuidadora) que transformava cada tentativa de autonomia em culpa, cada "não" em traição, cada separação em catástrofe emocional.

“O masoquista não se submete porque gosta de sofrer. Submete-se porque aprendeu que expressar sua vontade significa perder o amor. E entre a autonomia e o amor, escolheu o amor — ao custo de sua vitalidade.” — Alexander Lowen, Bioenergética (1975)

O direito fundamental: ser autônomo

O que foi negado ao masoquista não foi a existência (como no esquizoide) nem a nutrição (como no oral), mas a autonomia — o direito de ter vontade própria, de dizer "não," de separar-se emocionalmente sem perder o vínculo. Essa é a tarefa desenvolvimental da fase entre 1 e 3 anos, frequentemente chamada de "fase anal" na linguagem psicanalítica clássica. A criança está aprendendo a diferenciar-se, e o ambiente precisa permitir isso sem retaliação.

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