Caráter Esquizoide

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O caráter esquizoide carrega a ferida mais precoce e mais fundamental de todas: a ameaça à própria existência. Antes mesmo de nascer — ou nos primeiros dias e semanas de vida —, essa criança captou, com a sensibilidade radical do organismo nascente, que não era bem-vinda. Talvez a gravidez tenha sido indesejada. Talvez a mãe estivesse deprimida, aterrorizada, emocionalmente ausente. Talvez o ambiente uterino estivesse saturado de cortisol e adrenalina. O que o organismo registrou, antes de qualquer pensamento, antes de qualquer palavra, foi algo como: existir aqui é perigoso.

“No esquizoide, o terror não é de perder o amor ou de ser controlado — é de ser aniquilado. A existência em si é a questão.” — Alexander Lowen, O Corpo em Terapia (1971)

O direito fundamental: existir

A estrutura esquizoide se organiza em torno de uma privação primária — o direito de existir, de estar aqui, de ocupar espaço no mundo. Quando esse direito é ameaçado nos primórdios da vida, a defesa mais primitiva que o organismo encontra é sair — retirar-se do corpo, da sensação, do contato. Essa é a raiz da dissociação esquizoide: não é uma escolha, é uma estratégia de sobrevivência forjada antes da consciência.

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